Ecos na selva das almas renunciadas

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"Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam."

Sophia de Mello Breyner Andresen


 


Vivemos um tempo estranho: o asfalto engole raízes e a humanidade ajoelha-se diante da mais frágil persistência.


Olho para a figura imóvel, esmagada pelo peso da gravata e da rotina, e penso na selva obscura de Sophia, onde até o sol se suja e até o ar nos condena.


Renunciámos ao espanto e à esperança, mas a flor, teimosa, rompe a dureza do chão e aponta uma possível redenção em meio ao absurdo.


Entre grades invisíveis, há sempre algo que floresce para desmentir a resignação dos homens.

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