O valor que não tem rótulo

1.jpg


Crescido entre raízes humildes, no calor de Angola e nas esquinas do Campinho, soube, desde cedo, distinguir entre o que se “alcança com moedas” e o que só se conquista com entrega, coragem e a teimosia própria de quem já viu o suficiente para preferir a verdade despida.


Ao longo do percurso - tanto nas salas de aula de Albergaria, da Universidade de Aveiro como no palco cansado da política local - nunca me permiti seduzir pelo brilho fácil que o dinheiro garante. Valorizei antes a solidez dos laços, o respeito, a ternura resistente das pequenas coisas, o prémio raro de uma consciência tranquila.


O cartaz é directo como gosto: o preço compra-se, o valor constrói-se, no silêncio de cada escolha, no desgaste de cada cicatriz.


Sou, no fundo, mais colecionador de conquistas do que de objectos. Educador que luta por mentes inquietas, cidadão que prefere a autenticidade à pose. Homem de palavras sempre aguçadas, mas de mão aberta à humanidade quando ela se impõe.


Sei que o tempo trata de depreciar tudo o que tinha selo, mas ninguém me poderá roubar nunca aquilo por que lutei. E me tornou inteiro.

Comentários