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Em França e Espanha, a persuasão na prevenção rodoviária é clara: placas visíveis, mensagens diretas, apelo à segurança. Em Portugal, a persuasão é um conceito exótico, quase um luxo.
Por cá, a estratégia é simples: esconder o radar atrás de um arbusto, como quem monta uma emboscada digna de um filme de espionagem. Não se trata de prevenir, trata-se de surpreender. É a pedagogia do susto, a arte do “apanha que é ladrão” aplicada ao volante.
A lógica é cristalina: se o condutor não sabe onde está o radar, conduz com medo permanente. É a prevenção pelo terror psicológico, uma espécie de “Big Brother” rodoviário, mas com orçamento para camuflagem e não para sinalização.
Enquanto outros países educam, nós armamos ciladas. Resultado: menos confiança, mais multas, zero cultura de segurança.
Portugal continua a confundir persuasão com perseguição. E assim se constrói uma política pública que não previne, apenas arrecada. Porque, convenhamos, um radar escondido não salva vidas, apenas engorda cofres.
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