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"Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.
E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.
Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim."
Por isso passo por mim
Como por coisa esquecida.
Fernando Pessoa
A solidão é, segundo Pessoa, paisagem íntima e inevitável: somos ilhas rodeadas por outras ilhas, aparentando proximidade mas mergulhados no abismo do próprio ser.
O gato, na imagem, observa e se faz cúmplice do silêncio, emoldurado pelo sol - símbolo da consciência plena, ardente e solitária - onde a liberdade dialoga com a tristeza, e o sentido da existência repousa na aceitação do vazio.
Viver parece ser este processo, onde nos atravessamos como quem desconhece o próprio nome, e a lucidez é, paradoxalmente, a mais profunda forma de esquecimento.
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