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Intermezzo
"Hoje não posso ver ninguém:
sofro pela Humanidade.
Não é por ti.
Nem por ti.
Nem por ti.
Nem por ninguém.
É por alguém.
Alguém que não é ninguém
mas que é toda a Humanidade."
António Gedeão
Na imagem, eis o contraste cruel entre o brilho falso da vitrina e a dignidade silenciosa de quem observa do lado de fora, alguém que a cidade finge não ver.
O poema de Gedeão lembra que o sofrimento real não pertence a ninguém em particular. É antes o retrato de uma humanidade inteira que tenta resistir. Vivemos numa sociedade que adora exibir rendas e brilhos, mas que tropeça mal chega a hora de mostrar compaixão.
Talvez um dia percebamos que o luxo mais urgente não é o cetim da montra. É o respeito que devemos ao rosto cansado que a contempla.
Somos todos esse alguém que não é ninguém, mas que sustém o peso do mundo.
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