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A memória dos encontros constrói-se desta estranha inocência, como quem nunca aprendeu o caminho do ódio.
Caminho, rodeado de rostos que me habitam ou evaporam, se indiferentes.
Nunca soube odiar, talvez porque preferi, desde sempre, esse esforço quase épico de gostar ou, no limite, deixar que o outro se torne invisível.
Não haverá maior ousadia afetiva do que recusar a acomodação cómoda do rancor e escolher, por capricho existencial, o lugar do reconhecimento. No fundo, só diz respeito a quem sabe sonhar a realidade.
afeto
antónio lobo antunes
gostar
invisibilidade
memória
ódio
reconhecimento
reflexão
relações humanas
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