Se Jesus estivesse aqui hoje…

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O silêncio que fala


Imaginemos por um instante: Jesus sentado à nossa frente, sem pressa, sem agenda, apenas com aquele olhar que atravessa as máscaras e chega ao coração. O que nos diria? Talvez nada. Talvez apenas sorrisse, porque há silêncios que curam mais do que mil palavras. Mas se falasse, creio, seria simples, direto, sem retórica: “Não temas, estou contigo.”


Entre a pressa e a Paz


Vivemos num tempo em que tudo corre, tudo exige, tudo pesa. Jesus, que caminhava devagar pelas estradas poeirentas da Galileia, talvez nos aconselhasse a parar. A respirar. A lembrar que a vida não é uma maratona de likes, mas um caminho de encontros. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos darei descanso” (Mateus 11:28). Não é poesia barata; é um convite à leveza.


Henri Nouwen, no seu clássico Uma Espiritualidade do Viver, lembra que a vida espiritual exige três disciplinas: solitude, comunidade e ministério. Todas elas são formas de criar espaço para Deus no meio do ruído do mundo. 


Amar sem manual


Se perguntássemos: “Que devo fazer?”, Ele não nos daria um regulamento. Diria apenas: “Ama.” Ama quem te irrita, quem te magoa, quem não merece porque tu também não mereces e, ainda assim, és amado. É desconcertante, mas é libertador. O amor, para Jesus, não é sentimento; é decisão.


Anselm Grün, autor de mais de 300 livros sobre espiritualidade, reforça esta ideia: amar é a única revolução possível. Nos seus escritos, como Amar é a única revolução e O poder do silêncio, ele convida-nos a transformar sentimentos negativos em força criativa, porque só o amor cura feridas profundas.


Coragem para ser verdadeiro


Num mundo de filtros e aparências, Jesus seria o primeiro a rasgar o véu da hipocrisia. “Seja o vosso falar: sim, sim; não, não” (Mateus 5:37). Sem cinismos, sem jogos. A verdade dói, mas cura. E talvez nos desafiasse: “Quem és tu, quando ninguém está a ver?”


Papa Francisco, no livro A esperança é uma luz na noite, recorda que a esperança é um dom e uma tarefa. Não é otimismo superficial, mas a coragem de acreditar que a luz vence a escuridão. Essa esperança nasce da verdade e da autenticidade, mesmo quando tudo parece desmoronar. 


O conselho final


Se Jesus estivesse aqui hoje, talvez não nos desse respostas prontas. Talvez nos desse perguntas: “Que tens feito com a vida que te dei? Que tens feito com o amor que recebeste?” E depois, com aquele olhar que não condena, mas transforma, diria: “Segue-me.” Não para uma religião, mas para uma revolução interior.

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