Aroma que revela a alma

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"Eu me perfumo para intensificar o que sou. Por isso não posso usar perfumes que me contrariem. Perfurmar-se é uma sabedoria instintiva. E como toda arte, exige algum conhecimento de si própria."
Clarice Lispector


 


Há quem se esconda atrás de fragrâncias compradas à pressa, mas há também quem escolha o perfume como quem escolhe a própria pele, com coragem, lucidez e um certo descaramento doce.


Esta mulher parece saber isso: respira antes de se tocar com o frasco, procura o cheiro que não a contradiz, o cheiro que confirma o que é e o que não está disposta a abdicar.


Clarice tinha razão, perfumar-se é um gesto instintivo, quase animal, mas é também uma afirmação, uma espécie de assinatura invisível.


É preciso saber quem se é para escolher o aroma certo. Caso contrário, corre-se o risco de cheirar a outra vida qualquer, uma que não nos serve e que nunca vestiremos com verdade.

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