Entre gigantes e miniaturas, a lucidez em risco

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Foto © Elliott Erwitt / Magnum Photos


"Nesta época estranha, a inteligência parece estúpida, e a estupidez inteligente, e torna-se salutar desconfiar de ambas por questão de prudência."
António Lobo Antunes


Vivem-se tempos em que o ruído se confunde com pensamento, a pose com conhecimento e o tamanho da presença pública, política ou mediática, é facilmente tomado pela grandeza da inteligência.


A imagem de Erwitt é perfeita metáfora desta época estranha: quanto maior o cão, mais depressa lhe atribuímos autoridade, quanto mais pequeno o outro, mais depressa o ridicularizamos, esquecendo que a estatura moral e intelectual raramente coincide com a altura das botas ou com o volume da voz.


Talvez por isso faça tanto sentido desconfiar dos que parecem muito seguros de si e dos que renunciam a pensar por conta própria: a prudência democrática começa na dúvida, na pergunta incómoda e na recusa em confundir aparência com lucidez.

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