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A imagem que temos diante de nós não precisa de mais palavras para revelar o embate entre o público e o privado, o sagrado e o profano.
Parece uma daquelas cenas, quase teatral, que encapsula uma tensão irreconciliável: uma figura aparentemente irrepreensível, de hábito religioso, e a outra, uma mulher a exibir a liberdade que só a juventude e a transgressão proporcionam. O contraste entre as duas é explícito, mas, como sempre, a moral da história não está só na superfície.
A jovem, despreocupada, folheia uma revista estigmatizada pelo moral (ainda) vigente onde, ostensivamente, o erotismo parece ser o seu maior chamariz. Mas o que esta imagem realmente desafia não é o ato de transgressão em si, mas sim a hipocrisia que ainda se oculta atrás daquilo que nos é imposto como moralmente correto. O choque da imagem é um reflexo da sociedade que prefere ver a pureza apenas nas fachadas, quando por dentro as coisas podem ser bem diferentes.
A freira na porta representa a nossa vigilância, a nossa necessidade de julgar sem compreender. Será que ela está ali para corrigir ou, quem sabe, para esconder o que também carrega em seu íntimo?
Entre o olhar curioso da jovem e o gesto de repreensão da freira, a reflexão surge: quantas vezes nos encontramos entre duas realidades desconexas, entre o que mostramos e o que realmente somos?
Esta cena é um grito silencioso sobre a falsidade de muitas das normas que ditam o que é certo ou errado, como se as atitudes fossem mais importantes que a essência do ser.
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