Que a morte nos surpreenda vivos

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«Se o futuro é a vida, vivamo-la já, que o tempo é pouco: que a morte nos colha vivos, e não, como é de hábito, já meio mortos; aliás, suicidados.»
Agostinho da Silva (in Textos e Ensaios Filosóficos II)

Há quem passe pela vida como espectador distraído, sempre à espera do dia certo, do momento ideal, da coragem que nunca chega. Agostinho da Silva sabia que o futuro é uma miragem confortável para quem teme o presente.

A vida, porém, é agora, sempre agora, mesmo quando dói, mesmo quando não há rede.

Viver é levantar-se com urgência e propósito, é não adiar o riso, o afeto, o risco, o gesto inteiro. Morremos, tantas vezes, antes de morrer, pelo medo de viver demasiado.

Que a morte, então, nos apanhe em pleno movimento, com o olhar aceso e a alma em combustão porque só assim podemos dizer que estivemos, verdadeiramente, vivos.

 

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