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Civilização que vigia o tempo, mas desaprende a vivê‑lo. É isto que o diagnóstico ferino de Galeano nos esfrega na cara: cercados de relógios, cronogramas e agendas, tornámo‑nos analfabetos do ócio, da contemplação, da demora necessária para que a vida saiba a vida.
Em nome da produtividade, convertemos minutos em mercadoria e crianças em pequenos executivos, sempre atrasados para qualquer coisa, quase sempre adiantados para a idade que têm, como se a pressa fosse sinal de sucesso e não sintoma de uma civilização esgotada por dentro.
Talvez o verdadeiro “atraso” esteja hoje do lado de quem ainda se senta à porta de casa, conversa com o vizinho, entra tarde em casa porque ficou a ver o pôr do sol, sem fotografia, sem publicação, sem outro registo que não a memória interna, esse lugar escandalosamente livre de notificações.
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