25 de Abril: a Liberdade não é um móvel antigo


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Há datas que não cabem no calendário. O 25 de Abril é uma delas. Não é feriado, é ferida cicatrizada. Não é apenas memória, é medida.

Em 1974, um punhado de capitães decidiu que o medo não podia continuar a ser política de Estado. A censura sufocava jornais, a polícia política vigiava consciências, a guerra colonial consumia uma geração inteira. O país estava cansado, pobre e calado. E, no entanto, bastou uma madrugada e duas canções para que a História mudasse de tom.

A Liberdade não caiu do céu, foi conquistada. E custou. Custou carreiras, exílios, prisões. Custou vidas adiadas. Não foi um capricho romântico, foi uma urgência moral.

Cinco décadas depois, a pergunta impõe-se: que fazemos nós com esse legado?

Já não há censura oficial, mas há bolhas digitais onde só entra quem pensa igual. Já não há polícia política, mas há linchamentos públicos nas redes sociais. Já não há guerra colonial, mas há uma guerra silenciosa contra a verdade, travada a golpes de desinformação e populismo fácil.

A Liberdade de expressão não é o direito de gritar mais alto, é o dever de argumentar melhor. A democracia não é um espetáculo para consumo rápido, é um exercício exigente de responsabilidade cívica. Como lembrava Alexis de Tocqueville, as democracias morrem menos por golpes de força do que por erosão lenta da participação e do sentido crítico.

O 25 de Abril não é um móvel antigo que se mantém por tradição na sala de estar institucional. É uma ferramenta. Serve para abrir portas, mas também para nos lembrar que podem voltar a fechar-se.

Celebrar Abril não é repetir slogans, é praticar cidadania. É votar informado, é exigir transparência, é educar para o pensamento livre. É ensinar às novas gerações que a Liberdade não é gratuita nem garantida. É uma construção diária.

Se a madrugada de 1974 nos ensinou algo, foi isto: quando o medo recua, o país avança. E a Liberdade, essa, só envelhece quando deixamos de a usar.

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