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Imagem retirada daqui
Manual prático para cidadãos de fralda institucional
Nunca houve tanta informação disponível e nunca houve tanta gente a ser tratada como incapaz. Vivemos rodeados de avisos: não corra, não escorregue, não pense sozinho. Entramos num edifício público e somos guiados por setas, cores, pictogramas, como se estivéssemos numa visita de estudo do 1.º ano; falta apenas a fila indiana. A linguagem simplifica‑se, empobrece‑se, adoça‑se, como se a complexidade fosse ofensiva. Explica‑se o óbvio, repete‑se o evidente, desconfia‑se da nossa capacidade de compreender.Não é cuidado, é controlo suave. Gilles Lipovetsky falava da leveza contemporânea, essa tendência para transformar tudo em superfície, em consumo rápido, em pensamento light. E o adulto tornou‑se isso mesmo: leve, descartável, tutelado. As decisões chegam embrulhadas em paternalismo: é para o seu bem, é para sua segurança, é para sua proteção. Curioso: a democracia nasceu para libertar cidadãos, não para os colocar numa cadeira alta com cinto de segurança.
Multiplicam‑se regras minuciosas, protocolos, formulários, autorizações para autorizar. E, no meio de tanta norma, evapora‑se a responsabilidade individual, porque quem decide por mim responde por mim. E eu descanso. Na escola, exigimos autonomia às crianças, pensamento crítico, iniciativa, espírito de cidadania. Mas, cá fora, o adulto é conduzido pela mão invisível do regulamento: não suba aqui, não fale assim, não questione demasiado. É a cultura do “não pode”, mais simples do que educar, mais rápida do que confiar.
O paradoxo é cruel: quanto mais protegidos, mais frágeis. Quanto mais guiados, menos capazes. Talvez o problema não seja a falta de informação, seja o medo da liberdade. Ser adulto dá trabalho, implica risco, implica erro, implica assumir consequências.
Mas é preferível errar por conta própria do que acertar por obediência. Porque um cidadão tratado como criança acaba por comportar‑se como tal, e a democracia, essa senhora exigente, não se compadece com fraldas institucionais.
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controlo suave
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fraldas institucionais
infantilização dos adultos
medo da liberdade
paternalismo
responsabilidade individual
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