Não és dono do mundo. És responsável por ti.


O texto que circula na imagem não tem autoria confirmada. É frequentemente partilhado como anónimo nas redes sociais, sem referência bibliográfica credível.

A ideia central é simples e desconcertante: tudo passa, tu ficas. Amores evaporam-se, empregos desfazem-se, certezas mudam de cor como folhas em outubro. O mundo é fluxo, diria Heráclito. A vida é impermanência, ensinaria o budismo. Nada é eterno, exceto a experiência íntima de seres tu, contigo.

Mas cuidado. Esta mensagem pode ser lida como um hino ao ego ou como um convite à responsabilidade. Se só tu estarás contigo do primeiro ao último segundo, então não há álibis. Não há plateia permanente. Não há culpados eternos. Há escolhas.

Vivemos, muitas vezes, como se fôssemos figurantes na nossa própria biografia. Esperamos validação, aplauso, autorização. Esquecemo-nos de que a única presença constante é a consciência que nos habita. Sartre lembrava que estamos condenados à liberdade. E isso pesa.

A verdadeira inspiração não está na ideia reconfortante de que “mereces tudo”. Está na exigência implícita de te tornares digno das tuas próprias escolhas. Se tudo passa, então cada decisão conta. Se só tu ficas, então constrói alguém com quem valha a pena viver.

No fim, quando o ruído cessar, restará essa pergunta nua: foste fiel a ti?

E essa, ao contrário das circunstâncias, não passa.

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