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Há casas de banho que dispensam estudos sociológicos: um simples letreiro chega para arrumar o mundo, homens para a esquerda, mulheres para a direita, porque, claro, são elas que estão sempre certas.
A graça, e o incómodo, está nessa certeza pregada na parede, meio elogio, meio sentença, que transforma a velha guerra dos sexos num mapa de trânsito. No fundo, o letreiro diz o que muitos pensam mas não admitem em voz alta: os homens andam às voltas, as mulheres seguem em linha quase reta, pelo menos na gestão do quotidiano, das listas de compras às emoções que ninguém quer discutir.
O problema começa quando a piada da porta se infiltra na cabeça e passa a regra de vida: ele desiste de argumentar, ela assume o comando, ambos fazem de conta que é assim que a igualdade funciona.
Esta caricatura confortável poupa conversas difíceis, mas mantém tudo no sítio errado, incluindo a ideia de que a inteligência emocional tem género e direção obrigatória.
Talvez fosse mais honesto trocar o letreiro para algo menos simpático, mas mais verdadeiro: “Entrem por onde quiserem e vejam se, lá dentro, aprendem finalmente a falar um com o outro.”
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