Liberdade: risco assumido, servidão recusada

 

Há frases que não se leem, enfrentam-se. Esta, crua e rabiscada numa parede cansada, não pede licença, impõe-se: entre o conforto da obediência e o risco da escolha, há um abismo moral que muitos fingem não ver. A liberdade não é um sofá macio. É uma estrada com buracos, curvas apertadas e noites sem iluminação pública. Dá trabalho, exige coluna vertebral, cobra responsabilidade.

O sossego da servidão, esse, é tentador. Vem embrulhado em promessas de estabilidade, de silêncio, de “não compliques”. Mas é um sossego adulterado, um calmante para consciências inquietas. Quem o aceita troca voz por eco, vontade por rotina, vida por sobrevivência.

Escolher a liberdade é aceitar o desconforto de pensar, de discordar, de agir. É correr o risco de falhar, sim, mas também o privilégio de tentar. Porque viver sem liberdade não é viver menos, é viver por procuração.

E há algo de profundamente humano nisto: a dignidade não nasce do conforto, nasce da escolha. Entre a segurança de uma jaula dourada e o vento incerto de um caminho aberto, há quem hesite. E há quem avance. A diferença está em perceber que o verdadeiro perigo não é a liberdade. É habituarmo-nos a viver sem ela.

Comentários