Otimismo: a arte de voar antes de cair

 

Há imagens que parecem simples, quase inocentes, mas trazem uma lição antiga com roupagem de cartoon: a forma como olhamos para a vida muda a forma como a atravessamos. A tartaruga, agarrada à sua convicção de que está a voar, lembra-nos que a esperança também tem gravidade própria, e que, por vezes, a alma precisa de acreditar antes de conseguir.

O otimismo não é ingenuidade. É resistência. Não consiste em pintar o real com verniz cor-de-rosa, mas em recusar a rendição ao cinzento quando a circunstância insiste em desanimar-nos. Há pessoas que caminham com os pés no chão e o coração dobrado. Outras, mesmo em dias curtos, mantêm dentro de si uma espécie de céu portátil. É essa diferença que, tantas vezes, separa quem apenas sobrevive de quem verdadeiramente vive.

A vida, no fundo, exige-nos esse gesto quase absurdo e profundamente humano: continuar a tentar subir, mesmo quando ainda não dominamos o voo. E talvez seja esse o segredo mais discreto da felicidade: acreditar que cada pequeno avanço já é uma forma de levitação.

Comentários