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Às vezes, resistir é um exercício secreto, tão silencioso quanto a respiração de alguém que contempla o céu e deseja esquecer-se no mar. Vivemos tempos em que a resistência deixou de ser bandeira estridente e se tornou sopro interior: uma espécie de fidelidade a si, num mundo que pressiona para ceder, baixar a cabeça e alinhar-se.
Resistem os que recusam a anestesia das rotinas e enfrentam a incerteza de cada novo dia com a coragem do improvável.
O maior risco da resistência, hoje, está em não saber quando começa o esquecimento: quando deixamos de sentir, de nos indignarmo-nos, de lembrar ao que viemos.
Lutar pelo que acreditamos expõe-nos à frustração, ao cansaço, à solidão. Os desafios são muitos: a desinformação propaga-se, a solidariedade rareia e o medo tornou-se argumento de sobrevivência. Mas é precisamente quando o mundo instiga ao apagamento que o exercício de resistir se revela mais precioso.
Resistir é lembrar que existimos para além dos algoritmos e das notícias instantâneas. É proteger o fogo interior contra a enxurrada da indiferença. Resistir é também ceder - não ao poder, mas à delicadeza de escutar o céu para lembrar quem somos, e buscar no mar a leveza de, por vezes, esquecer para sobreviver.
Porque, (lá) no fundo, só resiste quem não abdica de amar, de sonhar, de ser, mesmo que isso custe caro no século da pressa e do ruído constante.
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