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O poder local adora a Escola.
Sobretudo em fotografia.
A freguesia que ama a escola, ao domingo.
Dizem que a Escola é da comunidade.
Do bairro.
Da freguesia.
Do concelho.
Na prática, a Escola é do fotógrafo da Câmara ou do telemóvel do senhor presidente da Junta.
E dos gabinetes de comunicação que descobrem a Educação sempre que há uma placa para inaugurar.
Há orçamentos, milhões, powerpoints e promessas.
Em Albergaria, o orçamento para 2026 passa os 32 milhões de euros, com grandes obras, parques, estação reabilitada, complexo desportivo e incubadora de empresas.
Na Educação, falam de centros escolares a concluir, escolas básicas e secundária em requalificação.
No papel, a Escola é prioridade.
Na vida, continua a pedir cola quente para segurar o quotidiano.
A Escola da terra, a terra da escola
O discurso é bonito.
Proximidade.
Coesão.
Território.
As autarquias ganharam mais competências na Educação: edifícios, manutenção, transportes, apoio às famílias.
Em teoria, isto aproxima as decisões dos cidadãos.
Em teoria.
Na prática, tudo depende do estilo da casa.
Há quem use a Escola como serviço público.
E há quem a use como cenário de campanha permanente.
Em Albergaria, anunciam requalificações em cadeia: jardins de infância, centros escolares, centros tecnológicos especializados, tudo moderno e inovador.
É o festival das palavras ocas: inovação, transição digital, sustentabilidade, incubação, corredor verde.
Entretanto, há escolas e centros escolares ainda sem fotocopiadora.
Nas salas, continuam a faltar tempo, pessoas e estabilidade.
O novo ciclo político e a velha Escola
Há nova liderança na edilidade.
Há nova estratégia municipal.
O discurso muda, mas pouco.
O padrão fica.
O poder local gosta de decidir onde cai o dinheiro visível.
Rotundas, parques, passadiços, complexos desportivos, estações requalificadas.
A Escola, quando não dá selfies, entra naquela rubrica do depois vemos.
Fala‑se em coesão social, em barómetros do poder local, em participação cidadã.
Mas quantos Conselhos Municipais de Educação funcionam como devia ser?
Quantos ouvem, de facto, professores, famílias, alunos?
A Escola da terra fica muitas vezes entre duas vontades:
o Ministério, distante,
e o município, próximo, mas seletivo.
Ridicularizar para ver se acorda
Querem Escola de excelência.
Mas trocam diálogo por eventos.
E planeamento por comunicados de imprensa.
Querem comunidade educativa.
Mas convocam sempre os mesmos.
E usam o resto como figurantes para apresentação de projetos lindos e fofos.
A Escola da terra não precisa de mais slogans.
Precisa que o poder local desça do palco.
E entre na sala de aula.
Com a mesma pressa com que corre para cortar a fita.
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