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"Assim como lavamos o corpo devíamos lavar o destino, mudar de vida como mudamos de roupa."
Fernando Pessoa
Há dias em que o destino pesa como roupa esquecida no fundo do cesto. Pessoa lembra que, tal como lavamos o corpo, devíamos lavar a vida, arejá‑la, torcê‑la, pendurá‑la ao sol. A fotografia mostra isso: o improviso humilde, a sombra que denuncia o que somos, o fardo e a leveza misturados no mesmo estendal.
Cresci em Campinho a ver a roupa tremular como bandeiras de resistência. Talvez por isso saiba que mudar de vida exige a mesma coragem das mulheres que estendiam lençóis em dias de inverno: mãos firmes, esperança teimosa e a convicção de que tudo seca, tudo renasce, tudo recomeça.
Lavar o destino é um ato político: íntimo, silencioso, irremediável.
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